Soja trava e mercado entra em alerta
Por outro lado, fatores de baixa limitam avanços mais consistentes
Por outro lado, fatores de baixa limitam avanços mais consistentes - Foto: Nadia Borges
Os preços da soja seguem sem direção definida no mercado internacional, refletindo um equilíbrio entre fatores de sustentação e pressão sobre as cotações no curto prazo. De acordo com análise semanal da TF Agroeconomia, o cenário atual é de lateralização, com o mercado operando dentro de um intervalo bem delimitado enquanto aguarda novos gatilhos, especialmente ligados ao clima e ao ambiente macroeconômico.
Entre os elementos de alta, o farelo de soja continua liderando o movimento, com valorização superior a 5% na semana, impulsionada pela demanda interna recorde nos Estados Unidos e por exportações firmes. A moagem aquecida no país, sustentada pela procura por óleo voltado ao biodiesel, também contribui para dar suporte ao complexo. Soma-se a isso uma nova venda de farelo norte-americano e um leve ajuste para baixo na produção da Argentina, além de condições de seca ainda relevantes nos EUA.
Por outro lado, fatores de baixa limitam avanços mais consistentes. A queda do óleo de soja após forte alta no ano reduz o ímpeto do grão, enquanto as chuvas nos Estados Unidos favorecem o plantio da próxima safra. A demanda chinesa abaixo do esperado, o ritmo mais fraco das exportações norte-americanas e a forte presença do Brasil no mercado global ampliam a pressão. A redução do risco geopolítico no Estreito de Ormuz também contribui de forma indireta para conter os preços.
No campo dos fatores mistos, o relatório recente do USDA manteve estoques inalterados, com cortes nas exportações sendo compensados por maior esmagamento. Já o câmbio, com o real valorizado, favorece Chicago, mas pressiona as cotações internas.
Nesse contexto, o mercado opera dentro de um canal bem definido, com suporte em torno de 1140 e resistência próxima de 1180 pontos em Chicago. No Brasil, o comportamento acompanha esse padrão, com preços entre cerca de R$ 121 e R$ 124. A orientação predominante é de operações de curto prazo, priorizando vendas nos níveis mais altos do intervalo e compras apenas próximas aos suportes, evitando posições direcionais mais longas.